Como surge uma cãibra

Como surge uma cãibra

28 de Março de 2018
em Dicas

Os músculos consistem de uma multiplicidade de células músculares. O cérebro envia por meio das vias nervosas impulsos elétricos através de íons minerais, os assim chamados eletrólitos, para as células musculares. Esta energia química é convertida dentro das células em energia mecânica: o músculo reage consequentemente e movimenta o esqueleto.

No caso de uma falha de comunicação,ou seja, se os nervos enviam sinais demais, fortes demais ou simplesmente os sinais errados ou ainda as células musculares não trabalham os sinais corretos de forma adequada, os músculos não podem reagir normalmente. Isto leva a contrações descontroladas, não simultâneas ou contrações em sentido opostos, o que nós sentimos como espasmos dolorosos.

HIPÓTESE A - AÇÚCAR

1. Quebra

O músculo utiliza, ao longo do exercício, a glicose como combustível. Um dos resultados desse processo é a produção de ácido lático.

2. Estoque

Quando o esforço é pesado, o organismo não consegue eliminar essa substância, que vai se acumulando aos poucos.

3. Cansaço

Em excesso, ela altera o pH local, que, mais ácido, atrapalha diversas funções das células. Daí o músculo entra em fadiga.

4. Descontrole

Se a atividade não é interrompida, a quantidade de ácido lático fica tão alta que incita doídos espasmos musculares. É a cãibra.

 

HIPÓTESE B – SAIS MINERAIS

 

1. Ordem

Um impulso elétrico sai do cérebro, passa pela medula e pelos neurônios motores e chega até o músculo. A mensagem é simples e direta: comece a se mexer.

2. Troca

A partir desse recado, moléculas de potássio saem das fibras e as de sódio entram. Depois, trocam de lugar de novo. E outra vez. Esse vaivém põe a musculatura para trabalhar.

3. Saída

Acontece que, se o esporte dura mais de uma hora ou é muito puxado, o corpo começa a perder sais minerais, como o sódio e o potássio, por meio da transpiração.

4. Carência

Aí, o equilíbrio entre os dois elementos é afetado e aquela variação de posições se torna deficiente. O músculo fica pirado, contraindo-se intensamente sem relaxar.

 

O que fazer?

Durante a crise, procure alongar a região acometida pela cãibra de maneira suave, sem fazer deslocamentos bruscos – nada de puxar as pernas com força, como fazem os jogadores de futebol. Ainda vale fazer massagem para aliviar um pouquinho a dor.

 

Como prevenir

O segredo está na alimentação equilibrada. Também capriche na hidratação durante o esforço físico – isotônicos podem ajudar, mas só se o exercício for longo ou extenuante. Procure orientação.

 

Fontes: Claudio Pavanelli, fisiologista do exercício do Clube de Regatas do Flamengo e da BeOne; Paulo Zogaib, especialista em medicina esportiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo; Jomar Souza, especialista em medicina do esporte e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte; Pablius Braga, coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.


Fonte: Prof. Jéssica Marangoni